Construção do currículo

6 06 2008

Não é simples o debate sobre a construção do currículo escolar. Na Educação de Jovens e Adultos ele se torna ainda mais complexo: o adulto, que trabalha, cuida de uma família, administra a própria casa, educa seus filhos, pode decidir o que aprender na escola, segundo suas necessidades? Particularmente, acho que sim. Desde que sejam apresentadas as possibilidades de caminho a percorrer na sala de aula. “O que é preciso aprender” é muitas vezes naturalizado no cotidiano escolhar. E raramente os alunos são convidados a pensar como se define “o que é preciso” e quem faz isso.
Há cerca de um mês iniciei a aula do Módulo 2 perguntando o que já tínhamos aprendido em Língua Portuguesa durante o semestre. Depois de listarmos os gêneros Autobiografia e Poesia, verbos, pontuação etc, perguntei quem havia definido que esse seria o conteúdo das aulas. Espanto! Em um primeiro momento a pergunta não parecia fazer sentido. Depois de mais explicações começaram: foi você, professora, a Melissa também (que leciona Língua Portuguesa pra mesma turma). E continuaram: A Jussara (coordenadora do EJA), a Sheila (secretária da escola), o governo, o Ministério da Educação. Sobrou até pro Lula! Conversamos um pouco sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais e as recomendações para a EJA.
Mas provoquei: e vocês? Participam da escolha do que vão aprender? As expressões traduziam o “óbvio que não”, enquanto as respostas eram mais gentis: “Não professora. A gente está aqui pra aprender. A gente não sabe o que é mais importante”. E eu, a Melissa, a Jussara, a Sheila ou o Lula saberíamos? “Sim!” Respondiam com cara de interrogação.
Propus que no projeto de uso dos laptops, já que nos restam pouquíssimas aulas esse semestre, decidíssimo juntos o conteúdo das aulas. Eu apresentaria rapidamente uma série de possibildades e eles seriam os responsáveis por decidir o programa.
Blogs, Wikipedia, Orkut, Twitter, Del.icio.us, fóruns de discussão, publicação de fotos e de vídeos. O tempo não dá pra tudo. Poderíamos escolher, no máximo, dois desses ítens. Para minha surpresa, houve pouca divergência na turma. Orkut, por exemplo, esteve fora desde o primeiro instante. Eles não concordam que a popular ferramenta possa ser utilizada para o aprendizado. No final da aula decidimos juntos por Blogs e pela Wikipedia. Sozinha, essas certamente não seriam as minhas escolhas…

Para o semestre que vem, pergunto: com alguns parâmetros, principalmente pensando em nossa metodologia de gêneros, seria possível construir todo o currículo de Língua Portuguesa com os alunos? O que vocês acham?

Bianca – Módulo 2

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2 responses

20 06 2008
Bel

Cê me ajuda a pensar nisso nas férias? Pensei que podemos propor os gêneros numa aula coletiva de todos os módulos. bj Bel

20 06 2008
biancasantana

Eba! Quando for melhor pra você.
Muito boa a idéia da aula coletiva, Bel 🙂

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